Nossos Exames

Periodicamente seu médico solicita alguns exames para que possa fazer uma análise mais completa de seu quadro de saúde. Nesta lista estão alguns dos principais exames médicos com informações para ajudá-lo a entender melhor esses procedimentos de rotina.

Os exames estão classificados em ordem alfabética (navegue através das letras iniciais abaixo):

Exames Laboratoriais para as Grávidas  

Letra U

Ultra-sonografia (US) de abdome inferior masculino (código da AMB 4.09.01.17-3)

O que é o exame: consiste na movimentação de um transdutor sobre o abdome inferior de uma paciente do sexo masculino recoberto por gel, havendo emissão e detecção de ondas de ultra-som que são transformadas em imagem e transmitidas em um monitor.

Para que serve: é um exame que permite a visualização da próstata, bexiga e vesículas seminais, podendo ser avaliado sua forma, ecogenicidade, tamanho e alterações presentes. Ainda mede o volume prostático e quantifica o resíduo pós-miccional. Auxilia detecção de doenças prostáticas em geral, aumento da próstata, crescimento anormal, presença de nódulos e câncer, além de poder ajudar no diagnóstico de infertilidade masculina.

Instruções para a realização do exame: deve-se ingerir 2 a 3 copos de líqüido uma hora antes para que a bexiga fique cheia. Não urinar antes do exame.

Riscos: não há riscos importantes relatados para o exame, não havendo utilização de radiação ionizante.


Figura 1: US de abdome inferior masculino - Próstata normal

Figura 2: US de abdome inferior masculino - Vesículas seminais D e E normais

Figura 3: US de abdome inferior masculino - Vesículas seminais D e E normais (esq.) e resíduo vesical pós-miccional de 13,0 mL (dir.)

Fonte:

- PAUL, Lester W.; JUHL, John H; CRUMMY, Andrew B; KUHLMAN, Janet E. Interpretação radiológica. 7.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, c2000. 1186 p.
- Radiological Society of North America, Inc. (RSNA)

Ultra-sonografia (US) obstétrica (código da AMB 4.09.01.23-8)

O que é o exame: consiste na movimentação de um transdutor sobre o abdome e pelve de uma gestante recoberto por gel, havendo emissão e detecção de ondas de ultra-som que são transformadas em imagem e transmitidas em um monitor. É possível a visualização do feto e dos órgãos pélvicos femininos durante a gestação.

Para que serve: é um exame feito de rotina durante a gestação para rastreamento, mas que também deve ser feito na suspeita de anormalidades. No primeiro trimestre de gravidez, suas finalidades são: confirmar uma gestação normal; avaliar a idade do bebê; averiguar a presença de gêmeos, anormalidades ou risco potencial de aborto; avaliar o coração fetal; e identificar anomalias da placenta, útero e outras estruturas pélvicas. No segundo e terceiro trimestres de gravidez, sua utilidade consiste em: avaliar a idade do bebê, assim como seu crescimento, posição e, às vezes, sexo; identificar algum problema de desenvolvimento; e avaliar a placenta, líqüido amniótico e estruturas remanescentes da pelve. Alguns centros indicam a realização de ultra-sonografia entre 13 e 14 semanas de gestação para procurar riscos de síndrome de Down ou outras anomalias do desenvolvimento fetal. O número total de ultra-sonografias feitas durante a gestação varia conforme a detecção de alterações em exames de imagem ou de sangue anteriores.

Instruções para a realização do exame: deve-se ingerir 2 a 3 copos de líqüido uma hora antes para que a bexiga fique cheia. Não urinar antes do exame.


Figura 1: US obstétrica com 15 semanas de gestação - Translucência nucal normal

Figura 2: US obstétrica morfológica (25sem 6d) - Calcificação placentária aumentada para a idade gestacional e líqüido amniótico em volume

Figura 3: US obstétrica morfológica (25sem 6d) - Cerebelo de aspecto normal e simétrico

Figura 4: US obstétrica morfológica (25sem 6d) - Duas cavidade orbitárias simétricas e de dimensões normais

Figura 5: US obstétrica morfológica (25sem 6d) - Ventrículo lateral em crânio de aspecto normal e simétrico

Figura 6: US obstétrica morfológica (25sem 6d) - Pé direito fetal normal

Figura 7: US obstétrica – Mola hidatiforme

Figura 8: US obstétrica - Gestação trigemelar (SG = saco gestacional)

Riscos: não há riscos para a gestante e o feto, não sendo utilizada radiação ionizante.

Fonte:

Medline Plus – US National Library of Medicine and National Institutes of Health

Ultrassom Abdominal (código AMB: Abdome inferior masculino (bexiga, próstata e vesículas seminais) 4.09.01.17-3 / Abdome inferior feminino (bexiga, útero, ovário e anexos) 4.09.01.18-1 / Abdome total (inclui pelve) 4.09.01.12-2 / Abdome superior (fígado, vias biliares, vesícula, pâncreas, baço) Código: 4.09.01.13-0 )

O que é

A ultra-sonografia é um método de obtenção de imagens de órgãos internos. Ondas sonoras de alta freqüência são enviadas ao interior do corpo, onde atingem os órgãos que se pretende visualizar. As ondas sonoras originam ecos, que são captados e transformados em imagens em tempo real. Nenhum tipo de radiação ionizante (raios-X) está envolvida na técnica da ultra-sonografia.

Como as imagens do ultra-som são obtidas em tempo real, elas podem mostrar movimentos dos tecidos e órgãos internos, e possibilitam a visualização do fluxo sangüíneo.

Uma ultra-sonografia abdominal é um modo útil de examinar os órgãos internos do abdômen, incluindo o fígado e a vesícula biliar, o baço, o pâncreas, os rins, a bexiga e os vasos sanguíneos. A técnica permite realizar o diagnóstico de inúmeras condições e analisar danos causados por diversas doenças.

Usos adicionais

A ultra-sonografia abdominal permite outros usos, tais como:

* Realização de processos guiados por imagem, como as biópsias por agulha. * Realização de diagnóstico complementar de processos inflamatórios abdominais agudos dolorosos, como a apendicite aguda (inflamação do apêndice) e a colecistite aguda (inflamação da vesícula). * Ajudar a determinar a causa do aumento de um órgão abdominal.

O exame pode ser complementado com o uso do ultra-som Doppler, que é especialmente útil para avaliar os vasos sangüíneos.

Preparação para o exame

Devem ser usadas roupas confortáveis no dia do exame.

Outros cuidados são variáveis, e dependem do tipo de exame que irá ser feito. Em alguns destes exames, você não poderá se alimentar ou ingerir líquidos por até 12 horas, antes da realização do exame. Em outros casos, será pedido que uma grande quantidade de água seja ingerida nas horas que antecedam o exame, para que a bexiga fique cheia.

Ainda, poderá ser solicitado que o paciente faça uso de laxantes intestinais ou de medicamentos que ajudem na eliminação dos gases.

Equipamento de ultra-som

A aparelhagem que realiza a ultra-sonografia consiste de um console, contendo um computador, um monitor de vídeo e um transdutor. O transdutor é um dispositivo manual portátil, que envia e recebe os sinais de ultra-som, e é usado para examinar o interior do abdômen. O transdutor é ligado ao aparelho de ultra-som.

O ultrasonografista espalha um gel lubrificante no abdômen do paciente, na área a ser examinada, e a seguir comprime o transdutor firmemente contra a pele para obter as imagens.

O transdutor funciona ao mesmo tempo como um alto falante (que origina os sons) e um microfone (que os grava). Quando o transdutor é pressionado contra a pele, ele emite um feixe de ondas sonoras de alta freqüência, inaudíveis para nós. Na medida em que estas ondas ecoam dos tecidos e fluidos corpóreos, o microfone presente no transdutor salva a intensidade e tipo das ondas sonoras refletidas (ecoadas). As ondas refletidas são analisadas pelo computador do equipamento, que as transformam em imagens em tempo real, visualizadas no monitor.

À medida que o exame prossegue, as imagens mais representativas (tanto imagens em movimento como imagens estáticas) são armazenadas no computador do aparelho de ultrassom, podendo ser copiadas em disco ou vídeo, e/ou impressas em papel. Geralmente o paciente pode acompanhar visualmente o exame.

Técnica e interpretação do exame

O paciente é posicionado na mesa de exames, de modo a ficar confortável, e um gel cristalino é aplicado sobre a pele do abdômen. A função do gel é a de melhorar o contato entre o transdutor e a pele.

O transdutor é aplicado firmemente contra a pele, obtendo-se as imagens. Pode haver algum desconforto durante a pressão do transdutor, especialmente se foi solicitado ao paciente que esteja com a bexiga cheia.

O exame dura aproximadamente 30 minutos.

Ao término, muitas vezes é solicitado ao paciente que espere por alguns minutos, enquanto o ultrasonografista analisa as imagens e muitas vezes já prepara o laudo médico de imediato.

O exame é interpretando por um ultrasonografista , que é, em boa parte das vezes, um radiologista. Este profissional é o responsável pelo laudo final, e também assina o documento.

Benefícios da Técnica

* O exame não é invasivo e é indolor
* É uma técnica amplamente disponível e de fácil uso.
* Não utiliza radiação ionizante, como nos exames de raios-X.
* Permite a obtenção de imagens em tempo real
* Possibilita a análise de movimentos

Riscos da Técnica

* Não existem riscos descritos desta técnica em seres humanos

Limitações da técnica

* Não é uma boa técnica para visualização do estômago e dos intestinos grosso e delgado
* A presença de gás no interior das alças intestinas pode impedir a visualização de estruturas mais profundas
* Pacientes obesos apresentam maior dificuldade para visualização das estruturas
* É possível visualizar apenas a superfície externa dos ossos


Figura 1: Ultra-som demonstrando lobo esquerdo do fígado e aorta abdominal (esquerda) e veia cava inferior (direita)

Figura 2: Ultra-som demonstrando bifurcação de veia porta (esquerda) e lobo direito do fígado (direita)

Figura 3: Ultra-som demonstrando vesícula biliar (esquerda) e hepatocolédoco (direita)

Figura 4: Ultra-som de aorta abdominal

Figura 5: Ultra-som de rim em visão longitudinal (esquerda) e transversal (direita)

Figura 6: Ultra-som de baço

Figura 7: Ultra-som - Cálculo em rim direito

Figura 8: Ultra-som - Cálculo em rim esquerdo

Figura 9: Ultra-som - Veia cava inferior (à esquerda) e aorta (à direita

Figura 10: Ultra-som de pâncreas

Figura 11: Ultra-som demonstrando lobo direito do fígado

Figura 12: Ultra-som demonstrando lobo esquerdo do fígado

Figura 13: US abdominal Ultra-som evidenciando aorta de trajeto e calibre normais e fígado com ecogenicidade aumentada esteatose

Fonte:

- American College of Radiology (ACR) e Radiological Society of North America (RSNA).

Ultrassom Pélvico (código AMB: Abdome total (inclui pelve) 4.09.01.12-2)

O que é

O exame de ultra-som envolve a emissão de ondas sonoras para o interior do organismo; estas ondas sonoras são refletidas pelos órgãos internos, como ecos, e estes são em seguida captados por um aparelho capaz de transformá-los em imagens anatômicas. Nenhuma energia ionizante (raio X) está envolvida neste tipo de procedimento.

Nas mulheres, o ultra-som pélvico é mais frequentemente usado para examinar o útero, as tubas uterinas e os ovários. Como as imagens do ultra-som são obtidas em tempo real, elas podem mostrar movimentos dos tecidos e dos órgãos internos, e possibilitam a visualização do fluxo sangüíneo.

Utilização

A monitorização do desenvolvimento fetal é a principal razão é pela qual o ultra-som pélvico é usada. Outras utilizações deste exame são:

* Avaliação de dor pélvica
* Avaliação de sangramento anormal ou de outros problemas menstruais
* Colaborar no diagnóstico de massas pélvicas, tais como os cistos de ovário e os tumores do ovário ou do útero.
* Avaliação de infecções pélvicas
* Orientar a realização de punção-biópsia por agulha
* Pode ajudar a identificar cálculos, tumores e outras alterações na bexiga, tanto nas mulheres como nos homens.

Preparação para o exame

Devem ser usadas roupas confortáveis no dia do exame. Em alguns dos exames, será pedido que uma grande quantidade de água (geralmente 6 copos) seja ingerida nas 2 horas que antecedam o exame, para que a bexiga fique cheia. A bexiga cheia ajuda na visualização do útero, ovários e parede interna da própria bexiga.

Equipamento de ultra-som

A aparelhagem que realiza a ultra-sonografia consiste de um console contendo um computador, um monitor de vídeo e um transdutor. O transdutor é um dispositivo manual, portátil, que envia e recebe os sinais de ultra-som, e é usado para examinar o interior do abdômen. O transdutor é ligado ao aparelho de ultra-som.

O ultrasonografista espalha um gel lubrificante na parte inferior do abdômen do paciente, na área a ser examinada onde se localizam o útero e os ovários, e a seguir comprime o transdutor firmemente contra a pele, para obter as imagens.

O transdutor funciona ao mesmo tempo como um alto falante (que origina os sons) e um microfone (que os grava). Quando o transdutor é pressionado contra a pele, ele emite um feixe de ondas sonoras de alta freqüência, inaudíveis para nós. Na medida em que estas ondas ecoam dos tecidos e fluidos corpóreos, o microfone presente no transdutor salva a intensidade e tipo das ondas sonoras refletidas (ecoadas). As ondas refletidas são analisadas pelo computador do equipamento, que as transformam em imagens em tempo real, visualizadas no monitor.

Na medida em que o exame prossegue, as imagens mais representativas (tanto imagens em movimento como imagens estáticas) são armazenadas no computador do aparelho de ultra-som, podendo ser copiadas em disco ou vídeo, e/ou impressas em papel. Geralmente o paciente pode acompanhar visualmente o exame.

Técnica e interpretação do exame

O ultra-som pélvico convencional é feito através da parede anterior do abdômen, em sua parte mais inferior. Tipos especiais de ultra-som pélvico são os exames por via endovaginal e por via transretal. Estas duas técnicas não são objetos deste texto, por terem indicações diferentes e por usarem técnicas e transdutores diversos.

Para a realização do ultra-som pélvico, a bexiga deve estar cheia. O paciente é posicionado na mesa de exames, de modo a ficar confortável, e um gel cristalino é aplicado sobre a pele da parte inferior do abdômen. A função do gel é melhorar o contato entre o transdutor e a pele.

O transdutor é aplicado firmemente contra a pele, obtendo-se as imagens. Pode haver algum desconforto durante a pressão do transdutor, devido ao fato da bexiga estar cheia.

O exame é indolor. Ao término do exame, muitas vezes é solicitado ao paciente que espere por alguns minutos, enquanto o ultrasonografista analisa as imagens e muitas vezes já prepara o laudo médico de imediato.

O exame é interpretando por um ultrasonografista , que é, em boa parte das vezes, um radiologista. Este profissional é o responsável pelo laudo final, e também assina o documento.

Benefícios da Técnica

* O exame não é invasivo e é indolor
* É uma técnica amplamente disponível e de fácil uso.
* Não utiliza radiação ionizante, como nos exames de raios-X
* Permite obtenção de imagens em tempo real
* Possibilita a análise de movimentos

Riscos da Técnica

* Não existem riscos descritos desta técnica em seres humanos

Limitações da técnica

* Não é uma boa técnica para visualização de cavidades ou órgãos que contenham gás
* Pacientes obesos apresentam maior dificuldade para visualização das estruturas
* Permite visualizar apenas a superfície externa dos ossos

Fonte:

- American College of Radiology (ACR) e Radiological Society of North America (RSNA).

Uréia no sangue (Nitrogênio ureico) (Código AMB: 4.03.02.58-0)

Material a ser analisado: sangue extraído da veia do braço.

Tempo gasto para obter os resultados: 5 a 10 minutos.

Finalidade: A dosagem da uréia no sangue é utilizada para avaliar a função renal, ou para confirmar e/ou avaliar a evolução de uma patologia que afete a função dos rins. Ajuda a avaliar a intensidade de uma desidratação.

Preparação prévia: não é necessária.

Resultados:

Valores normais: Nitrogênio uréico no sangue entre 8 e 20 mg /dl.

Valores aumentados: indicam aumento da destruição de proteínas no organismo, como nas queimaduras extensas. Patologia renal. Obstrução urinaria (cálculo renal ou hipertrofia de próstata). Redução do fluxo sangüíneo renal (desidratação).

Diminuição: Desnutrição. Hiperidratação. Lesão hepática severa.

Tempo para obter o resultado: alguns minutos.

Confiabilidade do exame: boa

Drogas e circunstâncias que podem alterar os resultados:

Aminoglicósideos
Anfotericina
Cloranfenicol
Meticilina
Má função hepática

Fontes:

- Manual de exames: Instituto de Patologia clinica Hermes Pardini 2003/2004
- A clínica e o laboratório - Alfonso Balcells Gorina, Medsi Editora 1996
- Henry: Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods, 20th ed., 2001.

Uretrografia (código da AMB para uretrocistografia de adulto: 4.08.07.05-3; e código da AMB para uretrocistografia de criança: 4.08.07.06-1)

O que é o exame: consiste na injeção de um meio de contraste radiopaco na uretra para obtenção de imagens radiográficas em diversas incidências. A uretra pode ser visualizada radiologicamente por injeção retrógrada do contraste (pelo orifício externo da uretra) ou de forma anterógrada a partir de uma uretrocistografia miccional. Ainda pode ser obtida uma uretrografia anterógrada fazendo-se radiografias à medida que o paciente urina no final de uma urografia excretora, quando a bexiga é preenchida por meio de contraste.

Para que serve: em mulheres, pode auxiliar na detecção de divertículos que não são detectados pela cistoscopia; em homens, auxilia na detecção de divertículos, estenoses uretrais, cavidades de abscesso, fístulas e anormalidades da próstata. A técnica anterógrada é exigida quando há suspeita de lesões da uretra posterior – por exemplo, válvulas de uretra posterior. A técnica retrógrada é mais útil para o exame de uretra anterior em homens (peniana).

Riscos: envolvem o uso de contraste iodado, que são potencialmente tóxicos aos rins e podem causar reações alérgicas de intensidade variada, conforme a susceptibilidade de cada indivíduo.


Figura 1: Uretrografia

Fonte:

- PAUL, Lester W.; JUHL, John H; CRUMMY, Andrew B; KUHLMAN, Janet E. Interpretação radiológica. 7.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, c2000. 1186 p.
- SMITH, Donald R. (Donald Ridgeway); TANAGHO, Emil A; MCANINCH, Jack W. Urologia geral de Smith. 16. ed. Barueri, SP: Manole, 2007 844 p.

Urina (análise de rotina) (código AMB: 4.03.11.21-0)

Material a ser analisado: urina.

Tempo gasto para obter o material: 2 a 3 minutos.

Finalidade: descartar patologias em geral do sistema renal, afecções do trato urinário, acompanhamento da evolução do tratamento de afecções do trato urinário. O exame complementar compreende 3 etapas: uma análise física da urina, análise química quantitativa e qualitativa dos elementos anormais (pesquisa química) e sedimentoscopia (exame microscópico da urina).

Preparação prévia: Deve se coletar, preferencialmente, a primeira urina da manhã, em frasco limpo e estéril. É necessária uma higiene local adequada, prévia à coleta. A urina, para a realização do exame, não pode ultrapassar 4 horas da sua coleta.

Resultados:

Valores normais: Ausência de proteínas e glicose. Ausência de corpos cetônicos, escassas células epiteliais, densidade 1010 - 1025, urobilinogênio em pouca quantidade (traços).
Valores anormais: A presença de valores alterados indica que estudos mais aprofundados deverão ser realizados, e também devem ser relacionados com os resultados do exame clínico.

Tempo para obter os resultados: alguns minutos de trabalho no laboratório. Os resultados são obtidos por exame visual de tiras especiais de papel, análise química para proteínas, açúcar e cetonas, exame microscópico para visualizar células, cilindros e cristais.

Confiabilidade do exame: boa.

Fontes:

1 - Manual de exames: Instituto de Patologia clinica Hermes Pardini 2003/2004
2 - A clinica e o laboratório - Alfonso Balcells Gorina, Medsi Editora, 1996
3 - Henry: Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods, 20th ed., 2001

Urocultura (código AMB: 4.03.10.21-3)

O que é?

A urocultura é um exame realizado em laboratório, como complementação do diagnostico de infecção urinaria. Através da urina rotina e do exame clínico, o medico fará o diagnostico de infecção urinaria. O tratamento será iniciado, mas o agente causador da infecção (que pode ser uma bactéria ou fungo), só é identificado através da urocultura. Desta maneira as amostras de urina são submetidas à cultura, quando originárias de pacientes com sintomas de infecção do trato urinário e de pacientes assintomáticos com alto risco de infecção.

Quais são os agentes que causam a infecção urinaria?

Os agentes etiológicos da infecção do trato urinário (ITU), são limitados a poucos microrganismos, de crescimento rápido. Escherichia coli, Enterococcus spp., Klebsiella-Enterobacter spp., Proteus spp., Staphylococcus saprophyticus e Pseudomonas spp., representam a maioria dos agentes, tanto de pacientes hospitalizados quanto da comunidade. Na comunidade, cerca de 80 % das ITU não complicadas são causadas por E.coli. Em pacientes hospitalizados, a Cândida spp., um tipo de fungo, também pode ser o agente causador da infecção.

Como deve ser coletado o material?

Como a urina é um liquido estéril, se a região próxima à saída da uretra não for devidamente higienizada, com eliminação de grande parte da flora local, essas bactérias, que estão presentes normalmente nessa região, poderão contaminar a urina, produzindo uma interpretação errada do resultado do exame. Por isso é fundamental uma higiene local rigorosa.

Procedimentos para uma coleta de Urina adequada

Coleta em mulheres

1. Remover toda a roupa e sentar no vaso sanitário.
2. Afastar os grandes lábios com uma das mãos e continuar assim enquanto fizer a higiene e coleta do material.
3. Usar uma gaze embebida em sabão neutro, lavar de frente para traz e certificar-se que está limpando por entre as dobras da pele, o melhor possível, porém sem friccionar demais.
4. Enxaguar com abundante água corrente.
5. Continuar afastando os grandes lábios para urinar. O primeiro jato de urina deve ser desprezado no vaso sanitário. Colher o jato médio urinário no frasco.
6. Se a paciente estiver menstruada, ou com corrimento e for absolutamente necessário realizar a urocultura, poderá ser introduzido um tampão ou algodão no intróito vaginal, enquanto se procede à coleta da urina.

Coleta em homens:

Após boa lavagem da glande, coletar o jato "médio" diretamente para frasco estéril. Dar atenção especial à higiene local, principalmente nos casos de fimose muito estreita, onde não se consiga um jato diretamente expelido do meato urinário (ou seja, quando a pele está tão próxima, que a urina entra em contato com ela ao ser eliminda).

Coleta em crianças

Os procedimentos descritos acima devem ser realizados tanto nas meninas quanto nos meninos.

Coleta em bebês

No caso das crianças, que não têm controle de esfíncter, fazer uso de saco coletor.

Fazer higienização prévia com água e sabão neutro. Caso não haja micção, trocar o saco coletor a cada 30 minutos, repetindo-se a higienização.

Como deve ser conservado o material?

A urina deve, preferentemente, ser recém emitida e armazenada em frasco estéril, seguindo-se todas as regras de assepsia acima. Caso não seja possível obter a urina no próprio laboratório, ainda é seguro trabalhar com uma urina emitida até 2 horas após a coleta e mantida à temperatura ambiente. Além deste período, deve-se refrigerá-la por no máximo 24 horas, antes do processamento. Após este período, a urina não poderá ser trabalhada.

Como é feita a urocultura?

Após realizar a centrifugação da urina, o sedimento que fica depositado no fundo do tubo de ensaio, é espalhado em placas de Agar, onde a bactéria irá se desenvolver. O bacteriologista selecionará as amostras que crescerem (o tempo necessário para o crescimento é de 48 horas, mas com 24 horas já é possível observar algum crescimento) e fará um repique sobre nova placa, na qual será feito o "Antibiograma", que definirá a qual tipo de antibiótico a bactéria é sensível e a qual tipo ela é resistente. O antibiograma é parte fundamental da urocultura, já que orientará o médico em sua decisão terapêutica.

Como é feita a interpretação do resultado?

Urocultura Negativa ou inferior a 10.000 colônias/ml com Leucocitúria (presença de leucócitos na urina): pode resultar de uma amostra contaminada por anti-séptico externo ou de uma infecção urinaria parcialmente tratada (antibiótico por período menor que o necessário ou com dosagem menor que a devida, geralmente resultante de automedicação);

Existem casos de falsa - leucocitúria (infestação por Trichomonas vaginalis, infecção por bactérias anaeróbias, Mycobacterium, Mycoplasma, Ureaplasma, Chlamydia, fungos, vírus; presença de corpo estranho nas vias baixas como cálculo, pêlo púbico, etc.) que podem gerar alguma dificuldade na interpretação do exame.

Urocultura positiva ou superior a 10.000 colônias/ml sem leucocitúria: Resulta geralmente de uma contaminação externa ou má lavagem dos genitais; urina velha, demora na semeadura. O exame de urocultura está plenamente associado ao exame de urina rotina. Uma urocultura positiva, porém sem presença de leucócitos ao exame de urina rotina, faz com que o médico duvide do crescimento bacteriano identificado.

Urocultura positiva ou superior a 10.000 colônias/ml com leucocitúria: resultado positivo e indicativo de uma infecção urinaria. Deve-se identificar a bactéria e realizar o teste de sensibilidade (antibiograma), para definir a etiologia e o tratamento apropriado da infecção urinaria.

Quanto tempo demora o resultado do exame?

Para o exame completo, urocultura e antibiograma, são gastos aproximadamente 4 dias.

Fontes:

1 - Manual de exames: Instituto de Patologia clinica Hermes Pardini 2003/2004
2 - A clinica e o laboratório - Alfonso Balcells Gorina, Medsi Editora, 1996
3 - Henry: Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods, 20th ed., 2001