Guia de Doenças e Tratamentos

Quando se conhece melhor as diferentes doenças e seus tratamentos torna-se mais fácil o diálogo com o médico, entendendo suas orientações e conseqüentemente abreviando o tempo do tratamento.

As informações contidas neste site são destinadas ao público brasileiro e têm caráter informativo, não devendo ser usadas para incentivar a automedicação ou substituir as orientações médicas. O médico deve sempre ser consultado a fim de prescrever o tratamento adequado.

 

Letra L

Leucemia mielóide crônica

O que é leucemia mielóide crônica?

A leucemia é um tipo de câncer que acomete o sangue e a medula óssea (local onde são produzidas as células do sangue). Duas situações acontecem: 1) um determinado número de células torna-se anormal; 2) o organismo continua produzindo um grande número de células anormais.

A leucemia mielóide crônica (LMC) é um tipo de leucemia. O termo “crônica” significa que a doença age vagarosamente e que tem progressão lenta. O termo “mielóide” significa o tipo de células anormais que está sendo produzido em grande escala, é um tipo de leucócitos chamado mielóide.

Resumindo, a LMC é um tipo de câncer de evolução lenta, um distúrbio de células hematológicas causadas por uma anormalidade adquirida no DNA de células indiferenciadas na medula óssea. Isso resulta em um gene que produz uma proteína anormal. Essa produção anormal altera a produção de leucócitos na medula óssea, que normalmente é bem controlada, o que causa um aumento descontrolado do número de leucócitos. A LMC progride através de três fases da doença caracterizada por fases da doença crônica, fase acelerada e fase blástica ou final.

A fase crônica pode durar de 5 a 6 anos, com sinais e sintomas relativamente leves. A partir do momento que a doença avança para a fase acelerada, aumenta o número de células blásticas na corrente sanguínea e a sintomatologia se torna mais pronunciada. Logo após, poderá vir a fase final, a fase blástica, onde os sintomas podem ser graves, comprometendo a sobrevida dos pacientes. É importante a forma como os pacientes vivenciam essas fases, o progresso da doença e como apresentam mais sintomas físicos.

Por quê a LMC acontece?

Quando uma pessoa é saudável, o próprio organismo envia sinais que orientam o crescimento de novas células.

As células que formarão as células do sangue estão localizadas na medula óssea (“tutano do osso”) e são chamadas células-tronco. Estas células enviam sinais para a produção de novas células na quantidade necessária ao organismo.

Quando uma pessoa tem LMC, acontece uma alteração no DNA da pessoa e isto faz com que esse sinal perdure constantemente. Assim, há grande produção de célula leucêmicas.

Qual é o tratamento?

O único tratamento da LMC que pode levar à cura é TMO (transplante de medula óssea), mas existem outros tratamentos como a terapia com uma droga ou com a combinação delas.

O TMO é conhecido também como transplante de células-tronco. Esse tipo de terapia envolve dois passos:

Primeiro, uma dose elevada de medicamento é dada para atingir a maioria das células na medula óssea (tanto as células com câncer quanto as células saudáveis).
O segundo passo é substituir todas as células tronco que foram destruídas somente por células saudáveis.

As células saudáveis que substituirão as células leucêmicas podem ser doadas por uma outra pessoa (transplante alogênico) ou pelo próprio paciente (transplante autólogo).

O TMO é o único tratamento potencial para curar pacientes com LMC, e é o primeiro tratamento considerado pelos médicos. Infelizmente, nem todos os pacientes portadores de LMC são elegíveis a este procedimento (seja pela idade avançada, que é um fator de risco, seja pela falta de doador compatível). Pacientes que não são elegíveis ao TMO são tratados clinicamente e as drogas mais utilizadas são as listadas abaixo:

Interferon alfa (IFN-alfa)

O Interferon-alfa é uma substância produzida através de engenharia genética e que mimetiza o interferon produzido pelo próprio organismo. A aplicação de injeções de interferon-extra pode retardar o crescimento das células leucêmicas (e prolongar a vida), mas isto não prevê a cura para a LMC.

O Interferon-alfa é geralmente administrado sozinho ou em combinação com um quimioterápico chamado citrabina (Ara-C).

O problema mais significativo com este tipo de terapia tem sido a intolerância aos efeitos colaterais.

Muitas pessoas podem não tolerar os efeitos colaterais da terapia com o Interferon-alfa. Portanto, novas formulações vem sendo desenvolvidas para melhorar esta tolerabilidade.

Hidroxiuréia/ bussulfan

Esses dois agentes quimioterápicos são tipicamente utilizados com pacientes que não são candidatos ao TMO e para quem não responder ou não tolerar o Interferon-alfa.

Os agentes quimioterápicos são drogas usadas para destruir as células da leucemia. Ambas as terapias tratam os sintomas da LMC, mas não prolongam a vida. Entretanto, eles são geralmente mais tolerados que a terapia com o Interferon-alfa.